Pular para o conteúdo

Incorporando IA

A inteligência artificial tomou de vez o centro das conversas no mundo corporativo. Desde o lançamento do ChatGPT no fim de 2022, o tema deixou os laboratórios e passou a ocupar reuniões de diretoria, conselhos e grupos de trabalho. É natural que acontecesse isso, dado que poucas tecnologias prometeram tanto impacto nos negócios quanto a IA generativa.
Mas entre o entusiasmo e a realidade, existe um intervalo. Apesar do discurso acelerado, a prática ainda engatinha. Segundo o Slack Workforce Lab (2023), dois terços dos trabalhadores de escritório ainda utilizam pouco a IA no dia a dia. E, quando utilizam, fazem isso sem diretrizes claras ou preparação adequada e, muitas vezes, sem compreender como essa tecnologia se conecta aos objetivos estratégicos da empresa.
Esse cenário revela um ponto crítico — e bastante conhecido por quem trabalha com planejamento de longo prazo: a diferença entre adotar uma ferramenta e extrair valor real dela. A IA pode, sim, gerar ganhos expressivos de eficiência, previsibilidade e organização. Mas sua aplicação exige intencionalidade. Quando usada de forma superficial ou desarticulada, tende a gerar confusão, decisões enviesadas e perda de direção.
Ferramentas avançadas exigem maturidade organizacional. Sua eficácia está condicionada à integração com dados internos, à revisão de processos e ao preparo dos times. Sem esses fundamentos, o risco é ampliar o ruído — e valor nasce da clareza, não da velocidade.
Por isso, na Pulsar, entendemos a IA como um possível ativo estratégico. E, como todo ativo, ela precisa ser cultivada, testada e ajustada ao contexto real de cada empresa. Nas organizações com quem atuamos, entendemos que a IA pode atuar como alavanca concreta para criação de valor:
Agilidade na pesquisa de dados e histórico de relação com clientes.
Geração de insights.
Fortalecimento da governança da informação
Automação de tarefas.
Esses impactos são viabilizados quando a tecnologia está a serviço da estratégia, sustentada por lideranças preparadas e por uma cultura aberta ao aprendizado. É nesse ponto que a confiança interna se torna decisiva. O mesmo estudo do Slack mostra que apenas 7% dos colaboradores confiam plenamente na IA, mas essa taxa dobra quando há confiança no gestor direto. Ou seja: a velocidade de adoção está diretamente ligada à qualidade da liderança.
Segundo Raffaella Sadun, professora da Harvard Business School, os líderes mais preparados para essa nova fase combinam visão estratégica com capacidade de engajar pessoas em contextos de mudança. Ou, em outras palavras, transformam ferramentas em cultura. Claro, existem riscos — como imprecisões, alucinações de dados ou decisões mal fundamentadas. Esses pontos merecem atenção e precisam ser ajustados. Mas em vez de desencorajar, reforçam a importância de começar com método, adaptar com cuidado e evoluir com consistência.
O cenário que se desenha nos próximos anos favorece empresas que investirem tempo para aprender, ajustar e integrar. Essas empresas ampliam sua capacidade de adaptação e constroem diferencial competitivo. Outras seguirão atuando em padrões tradicionais, com menor velocidade de resposta e menor capacidade de capturar valor estratégico.
A jornada está apenas começando. A inteligência artificial pode sim transformar a forma como trabalhamos, decidimos e colaboramos. E as empresas que evoluírem junto com ela — ajustando processos, desenvolvendo lideranças e amadurecendo cultura — tendem a capturar valor real antes das demais.
Na Pulsar, acreditamos que tecnologia só cria valor quando está conectada à estratégia, à cultura e ao tempo certo de cada organização. É esse olhar — técnico, pragmático e construtivo — que vamos explorar nos próximos conteúdos desta editoria.

pt_BR