
Para algumas pessoas, a fantástica história do Bitcoin dá a ele status de roteiro de Hollywood, mas não de investimento. Para elas, a grande volatilidade é motivo de desconfiança no sistema. Outras, no entanto, olham por outro ângulo: como uma “moeda” que passou de valer zero a cerca de 120 mil dólares em 16 anos não seria algo disruptivo?
Aceitamos sem reservas o surgimento de unicórnios que, em um período muito curto de tempo, chegam a bilhões em valor de mercado, mas desconfiamos do Bitcoin. Será que o receio com as criptomoedas não foi, em parte, alimentado pelo próprio sistema financeiro tradicional? É verdade que alguns projetos se revelaram golpes — e muitos usam isso como justificativa para manter distância. Mas e os casos de lavagem de dinheiro já revelados dentro do sistema convencional? E a falência de instituições centenárias, como um dos mais tradicionais bancos suíços? Quando levantamos questionamentos, talvez devêssemos lembrar de olhar para todos os lados.
Em 2021, no auge da liquidez global da época, o Bitcoin bateu quase 69 mil dólares. Nesse período, a alta foi acompanhada por uma valorização expressiva de outros criptoativos já estabelecidos, como o Ethereum — criado em 2013 — que ganhou ainda mais força no mesmo ciclo de euforia. O mercado atraiu empresas, investidores institucionais e campanhas milionárias, incluindo anúncios no Super Bowl. Pouco depois, o chamado inverno cripto trouxe quedas acentuadas e eventos marcantes como o colapso da FTX, reacendendo o debate sobre riscos e maturidade do setor.
Ainda assim, 2023 e 2024 marcaram uma recuperação consistente: aprovação de ETFs de bitcoin nos EUA, maior participação institucional, um novo “halving” e cortes de juros deram fôlego extra. O resultado foi a volta aos recordes, com o preço se aproximando hoje dos 120 mil dólares.
E por que isso é pauta para uma assessoria financeira? Porque os criptoativos estão, cada vez mais, ganhando uma regulação própria no mundo todo, o que consolida seu espaço no sistema financeiro. Empresas já utilizam o Bitcoin como reserva de valor, e a tecnologia por trás dele — com sua arquitetura descentralizada e imutável — representa uma revolução na forma como pensamos dinheiro, propriedade e confiança. Em um cenário em que novas classes de ativos entram no planejamento estratégico, compreender o papel do Bitcoin não é seguir uma moda: é preparar-se para um futuro que já está em construção.