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ReCulturando

Revisar a cultura é uma oportunidade estratégica. Poucos aproveitam.
Na Pulsar, costumamos dizer que algumas das maiores oportunidades dentro de uma empresa não estão no balanço. Estão nos comportamentos que ela cultiva — ou tolera. E um dos ativos mais subestimados, mas com maior potencial de retorno, é a cultura organizacional.
Ainda assim, são raras as empresas que decidem revisá-la de forma estruturada.
Há uma razão para isso. Cultura é um vetor de valor, mas pouco utilizado, porque seu impacto nem sempre segue a lógica imediata das planilhas. Em geral, decisões estratégicas são guiadas por métricas objetivas e ciclos curtos. Cultura, por outro lado, é um sistema mais lento — mas profundamente influente. Os efeitos de uma mudança cultural podem levar tempo, e muitas vezes se diluem entre outras variáveis. Isso torna difícil estabelecer uma relação de causa e consequência com a clareza que gestores costumam exigir. Mas essa dificuldade de medir não significa ausência de impacto. Pelo contrário.
Foi pensando nisso que Melissa Daimler — executiva com passagens por empresas como Adobe, Twitter e WeWork — propôs uma visão mais técnica e acionável sobre o tema. Para ela, cultura não é um clima ou um conjunto de frases inspiradoras. É um sistema composto por três elementos interdependentes: valores, comportamentos e práticas. E só há transformação real quando esses três pontos estão alinhados.
Sua proposta, chamada de reculturing, parte de um método simples e poderoso:
  1. Definir os comportamentos esperados com base nos valores reais da empresa — e não em slogans genéricos.
  2. Integrar esses comportamentos aos processos do dia a dia — como contratação, avaliação e tomada de decisão.
  3. Reforçá-los nas práticas cotidianas, desde reuniões até rituais informais.
É uma abordagem pragmática, que permite revisar a cultura como se revisa um modelo de gestão: com clareza, intenção e foco em resultado.
A visão de Daimler é sofisticada porque não romantiza o tema. Ela reconhece que cultura precisa ser projetada — não apenas vivida. E, mais do que isso, mostra que ela pode ser operacionalizada, medida e evoluída como qualquer outro sistema da empresa.
Para quem lidera negócios, vale a pena refletir: a cultura que trouxe a empresa até aqui é a mesma que a levará adiante? Se a resposta for incerta, talvez seja hora de encarar a cultura não como um pano de fundo imutável, mas como um alavancador de valor — invisível, mas transformador.

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